quarta-feira, 14 de outubro de 2009

HELLO MY LOVE


Sabes, há muito tempo que me ando a questionar sobre o que pode ser a verdadeira essência do amor. E não falo de pais, filhos, irmãos e amigos, que a esses mal ou bem vamos sabendo dar e receber afectos com mais ou menos traumas e conflitos. Falo da outra especie de amor, daquela que nos pode, ou não, para sempre a uma pessoa, que é ao mesmo tempo outra e nós, sem nunca deixar de ser ambas as coisas.
Às vezes acho que a ficção e a poesia é que deram cabo disto tudo, da verdadeira essência do amor, meteram-nos na cabeça, a nós, pseudo-intelectuais com aspirações a iluminados, que o amor tem que ser feito de sofrimento, ausência, tristeza e abnrgação e que a alma humana só se engrandece com a renuncia da felicidade.
Vivi muitos anos assim, viciada na tristeza e nas ausências, habituada a esperar por nada.
Mas os erros servem para criar hábitos e o vazio também enche a alma, por isso pensei que a minha vida ia ser mesmo: amar, esperar, esquecer e começar tudo de novo outra e outra e outra vez.
Hello my love.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ENTERRAR O CORAÇÃO


Onde dormem as gaivotas? Onde dormem os cães vadios? Onde dormem os loucos, os sós, os sem abrigo, os que não dormem? Onde dormem os fantasmas, os vampiros, os demónios e as memórias? Onde dormem os sonhos e os pesadelos?
Os dias correm claros e luminosos, mas á noite, quando as crianças têm medo do escuro e os adultos se encolhem no sofá, onde estão as gaivotas, os cães, os loucos?
Eu tenho uma teoria! Acredito que, como nunca somos só e sempre a mesma pessoa, á noite nos transportamos para outros corpos e seres e somos nós os cães, os fantasmas, os poetas, as gaivotas.
Digo isto porque acordo todas as noites alagada em suor, depois de me ter perdido em cidades que nunca vi mas que tenho a certeza que existem.
É nos meus sonhos que percebo que afinal não sou nem quem penso que sou, e muito menos quem gostava de ser. Não passo de uma rapariga escondida numa concha que não sei abrir, e é por isso que sonho que tenho outra vida, que sou um cão ou um passaro, que sou um louco ou um poeta. Ao menos esses correm, voam, sonham, sofrem e desejam. Ao menos esses procuram sempre qualquer coisa, em vez de enterrar o coração e enganar os dias numa existência perfeita e intocável, onde ninguem entra, onde o mundo só serve para contemplar e a agua das fontes é sempre para os outros.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A TUA OUTRA INICIAL


Escrevo-te a ti, que andas por ai á minha procura, numa solidão povoada, vazia e acomodada á espera que a vida te ponha no caminho uma mulher como eu. Não sei como te chamas nem por que inicial o teu nome começa, mas sei que existes, que me esperas e desejas e que um dia farás parte da minha vida.
Vejo-te em sonhos, és alto, timido e discreto, sorriso franco e olhar directo. Mãos pequenas, cabelo forte, cara certa, regular, a boca perfeita e nariz angular... apressado, mas no entanto és calmo e vives com paixão aquilo que fazes.
Não és um estratega nem um jogador, tal como eu és apenas um sonhador e quando a alma sonha projecta e acontece, as coisas saem-nos bem e por isso sabes que um dia, quando te cruzares no meu caminho, vais reconhecer nas minhas mãos frageis e esguias aquelas com que vais adormecer todas as noites até ao fim da tua vida. E quando vires nos meus olhos a cor e a luz que não mais te deixarão, saberas que me encontraste!
Nunca ouvi a tua voz mas sei que reconhecerei a sua doçura no primeiro acorde. Até lá prefiro não te ver, não te ouvir, não te falar e não te encontrar. Depois disso, conta comigo para a vida. Não para hoje, nem para amanha, mas para sempre.
Então a tua inicial será a ultima, a unica e derradeira, aquela que existe para estar ao lado da minha. C!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A TUA INICIAL


Querida L: a tua inicial podia ser outra e mais outra e outra ainda, tantas quantas as amigas que tenho, mas escolhi-te, para te dizer como, o quanto e porque é que gosto tanto de ti. As pessoas costumam dizer que a verdadeira amizade entre mulheres é impossivel. Nada é mais absurdo. A amizade é talvez a mais bela forma de amor, porque é feita de um amor dócil e dado, feliz e descomplicado, de uma vontade inesgotavel de dar, ouvir, ajudar e apoiar, de estar ali ao lado incondicionalmente para o que der e vier, de comungar coisas impartilhaveis, de guardar segredos sem nunca os reclamar, de saber estar e saber ser um espelho que nao mente e no entanto, suaviza a nossa propria realidade quando esta se torna assustadoramente monstruosa aos nossos olhos.

Olho para ti e vejo um escudo que me proteje do mundo, uma mao pronta a dar, um ombro preparado para receber as minhas lagrimas e tristezas. És um pilar, mesmo quando te sentes fraca e vulneravel. A tua presença faz-me sentir mimada, olho para ti e fico a pensar que sou uma pessoa cheia de sorte por te ter tao proxima.

Querida L, rezo a um Deus qualquer que esteja disponivel, para que a vida te seja doce, grata e generosa, que encontres uma homem a tua altura.

Dás-me paz, companhia, doçura, harmonia, amor, serenidade, confiança. Das-me a mão, o teu coração e a tua cabeça, as tuas memórias e os teus projectos, fazes-me sentir importante quando estou do tamanho de uma ostra e fazes-me rir quando choro e chorar quando rio.

Uma amizade assim não tem fim, mas tem principio e meio, e no meio de tudo isto só te posso dizer, minha querida L que o mundo nao teria a mesma luz se tu nao fizesses parte dele.

domingo, 5 de abril de 2009

Exclusivamente para o meu genero, o FEMININO!


Estou farta! Farta do trabalho que dá ser mulher. Farta de gastar rios de dinheiro em cremes hidratantes, no cabeleireiro e na manicure. Farta de olhar todos os dias ao espelho e descobrir uma mancha aqui, um ponto negro ali, uma mecha de cabelo fora do sitio. Ser mulher dá um trabalhão e eu estou farta.
A culpa é dos meios de comunicação. Das revistas da moda, das mulheres esculturais, plásticas e bombásticas que aparecem nos filmes americanos, das belas actizes francesas e de todas essas pessoas absolutamente lindas e maravilhosas que poluem a nossa pacifica existência com icones inatingiveis e por isso mesmo irresistiveis.
É a cara que não pode ter rugas, o cabelo que deve ser sedoso e impecavelmente cortado, as mãos arranjadas, os pés sem calos, as pernas sem celulite, a cintura sem gordura, o peito com firmeza e sem despeito, os joelhos sem vincos e um nunca acabar de pequenos nadas que transformam a nossa hijiene diária numa longa e árdua peregrinação pelo mundo do imaginário da perfeição que é uma cilada e das grandes.
Estou farta de ser mulher! De usar saltos altos, decotes no inverno que convidam á constipação. Lingerie sexy e incómoda. Rolos no cabelo durante horas para ficar bem penteada. Verniz nas unhas para parecer requintada. Batom e rimmel, base e sombra para parecer animada. Estou farta de ter que estar muito bonita para seduzir, para agradar, para me sentir amada. Quem gostar de mim, que goste da minha cara ensonada de manha, com remelas nos olhos e os cabelos em pé, de pijama e de pantufas, ou então ao fim da tarde, com óculos na ponta do nariz, enrolada numa mantinha a devorar uma caixa de bombons e a ler um bom livro, sem pensar que dois dias depois me vai nascer uma borbulha na testa.

domingo, 1 de março de 2009

BALADA DA SOLIDÃO...


A vida ensinou-me a não olhar para trás. Mas não por medo, ou por vontade, até porque o tempo, que dizem que tudo apaga, só serve para nos roubar as horas e gravar na memória os melhores e os piores momentos. E ficamos presos lá dentro, como peixes num aquário, enquanto a vida corre lá fora, e os outros respiram e se movem em liberdade, sem sequer reparar que estamos ali, fechados em nós mesmos, presos numa bola de vidro transparente que nos mostra o mundo onde não conseguimos viver. E, como o presente não passa de uma prisão dura e pesada, já basta o esforço de a aguentar, por isso olhar para o passado transforma-se num exercicio estéril e inutil que só rouba mais tempo e que não serve para nada.
Quando me vens á memória, lembro-me sempre daquele abraço imenso. Lembro-me que senti medo. Um medo enorme, como se desaparecesse nos teus braços e não voltasse. Mas o teu olhar azul tranquilizou-me, a tua voz era um bálsamo de doçura e magia e as tuas palavras, certas e serenas, faziam-me sentir que tudo estava certo e, por isso, quando passavas muito devagar as tuas mãos pela minha cara e ficavas a nadar nos meus olhos era como se me levasses para um lugar qualquer só nosso, cheio de verde e azul, e secalhar era por isso que te dizia que confiava em ti.
Vivi algum tempo neste estado de plenitude a que uns chamam de delirio absurdo e outros amor total, esperando-te, desejando-te, porque tudo me parecia certo e perfeito. Era certo e perfeito o teu olhar protector, o toque das tuas mãos, o teu peso em cima do meu corpo, a tua respiração regular enquanto dormias, as palavras que me dizias quando falavas do futuro.
Hoje, depois da duvida e da desilusão se terem instalado na minha consciência e me chamarem á razão todos os dias, fecho a porta a esse passado que já me alimentou e tento não pensar nada para não pensar que me enganei, que me enganaste, que te enganaste ou que nos enganámos os dois. A vida ensinou-me a aceitar em vez de querer, a esquecer em vez de julgar, a não guardar rancor e a dobrar a tristeza, sem nunca deixar de amar e proteger aqueles que já fizeram parte dela.
Mas á noite, quando adormeço na cama imensa onde me falta um corpo, uma respiração, é ai que ainda sinto a tua falta, que sinto imensas saudades daquele abraço imenso e das tuas mãos a passar pela minha cara. NUNCA TE ESQUECEREI!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A COR DAS SAUDADES!


De que cor são as saudades? Brancas, mesmo no principio, quando só vemos azul, o azul infinito de todos os começos, ou então daquele amarelo-claro, cor de quarto de menina no principio do século, suaves, diáfamas, quase imperceptiveis. Saudades brancas, as da infância, dos lanches com a avó nas pastelarias da moda, dos Natais em familia, da primeira vez que ficámos de castigo na escola. São saudades doces, pacificadas, confortáveis, familiares, quase sempre permanentes e no entanto guardadas na memória.
Depois, e por grau de importância vêm as saudades de cores berrantes da adolescência, da primeira vez que o coração começou a bater mais forte, da primeira vez que se ousou dar a mão, do primeiro chumbo no liceu, daquele primeiro acto de rebeldia. São as saudades rebeldes, vermelho vivo, azul turquesa, cor de laranja, numa mistura de cores e sabores agri-doce de que é feita toda a idade do armário, quando nos fechamos para o mundo convencidos que o temos na mão.
Depois vêm as saudades do primeiro amor. Do primeiro beijo, das cartas trocadas. Saudades dos beijos dados ás escondidas nas escadarias do liceu ou na paragem do autocarro deserta. Saudades da primeira noite de paixão em que prometemos este e o outro mundo. E depois, saudades da primeira vez que nos rejeitaram, o peito inexperiente a sangrar, as lágrimas descontroladas e a voz a tremer, as noites de insónias...
Gosto de imaginar as saudades ás cores, amarelas, rosa choque, de cores vivas, ás bolinhas ou ás riscas, mas sempre alegres como confetis e serpentinas em festas de crianças.
Ter saudades boas é uma das melhores formas de gostar de alguém. Saudades boas, que sabem bem, cheias de memórias doces e frescas, saudades de tardes passadas a ler, de passeios na praia a conversar, saudades de um futuro próximo, ainda incerto, mas cada vez mais perto...
São essas as saudades boas, as saudades certas, que não doem, não cansam, não cobram e não pesam, que só conhecem o verbo dar que fazem com que aqueles de quem mais saudades temos, que nem semprenvemos quando queremos, mas que sabem estar sempre próximos e atentos, tenham sempre saudades de nós.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NAMORAR ACIMA DE TUDO :)


Namorar está outra vez na moda!

Nas ultimas décadas, a moda era ser anigado, viver junto, andar com. Tudo opções equivocas, enganadoras e traiçoeiras, como são as soluções fáceis, também as falsas.
De todas as modalidades de conjugalidade free, a pior de todas é a dos amigados. Os amigados não são meia dúzia de amigos que vivem juntos. São duas pessoas que preferem suportar-se uma à outra do que aguentar a solidão. Os amigados são namorados desvirtuados. Já não vivem de amor e de paixão, vivem com pantufas e hamburgers. Já não fazem declarações de amor, fazem declarações de voto para ver quem vai despejar o lixo. Os amigados são seres enfiados, apagados e amargurados, vivem juntos por viver, porque calhou, porque era giro ou tinha umas boas pernas, porque estava ali á mão quando se alugou a casa. É uma vida um pouco ao calhas que com o passar do tempo já não calha nada.
Os "andados" são dramáticos, porque são um sub-produto dos namorados. São clandestinos, envergonhados e passam a vida a esconder-se das pessoas. Os "andados" andam muito, mas não chegam a lado nenhum. Andar com é como correr sem sair do mesmo sitio. Uma pessoa cansa-se, estafa-se, desespera e só vê a vida a andar para trás, como aquelas passadeiras de ginásio para praticantes paranóicos de jogging.
Namorar é que é bom. É gostar às claras, contar histórias, escrever cartas, dar miminhos, suspirar, passear de mão dada, ir ao MacDonald's, fazer birras, brincar às escondidas e dizer toda a espécie de parvoices sem cair no ridiculo. Namorar é fazer tudo sem preconceitos, sem medos. Mesmo que seja a ver a Pequena Sereia num domingo à tarde, os dois a roer pipocas enrolados numa mantinha roubada da TAP num voo le longo curso.
O melhor de namorar é que namorar não cansa como ser amigado. Namorar é sempre como dar o primeiro beijo, levar o pequeno almoço à cama, dar a primeira mensagem ou preparar o promeira jantar à luz das velas.

No namorar é que está o ganho!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

FAZ FRIO!


Devia escrever sobre imensas coisas que me vão passando pela cabeça, mas só me apetece desabafar sobre este frio implacável e devastador que me gela os ossos e a alma, a mim e a mais dez milhões de portugueses. Com esta mania que Portugal tem um bom clima andamos todos a congelar dentro das nossas próprias casas. Já conheci torturas menos penosas. No carro existe o maravilhoso botão do ar condicionado. Nos escritórios idem idem, para conforto dos friorentos e desgraça dos alérgicos. Não tenho lareira nem aquecimento central, as contas da luz duplicam todos os meses desde Outubro e continuo literalmente gelada. Outro dia falaram-me das maravilhas dos cobertores electricos, mas que diabo, uma pessoa não pode passar todo o tempo útil que está em casa enfiado na cama, até parece mal. Será que é por isso que há mais separações no Verão e reconciliações no Inverno?
Outra alternativa é aquecer o corpo por dentro, com chás, chocolates quentes ou para gargantas mais radicais, licores e aguardentes. Na dúvida prefiro Vodka Preta, que dá mais gozo e provoca um efeito colateral nos neurónios. Licores e aguardentes são coisas de taberna. Chocolates quentes é para crianças e chás para tias.
Outra solução é vestir quilos de roupa, ou mesmo o fato de ski, luvas, cachecol e barrete. Sopas. Sopas é outra defesa. Quentinhas, a fumegar. Mas é preciso não queimar a lingua, senão lá se vai o paladar e sem paladar há poucas coisas na vida que tenham graça.
O calor faz muita falta. Ao corpo e á alma, ao espirito e ao coração. O calor dilata os corpos, o frio encolhe-os. O calor anima, o frio desanima. O calor inspira, o frio interioriza.
Finalmente, depois de muito pensar, opto pelo saco de agua quente. È Prático, de grande mobilidade, rápido a proporcionar conforto, eficiente em enanar calor, inofensivo, silencioso e inodoro. Ou então por um dia inteirinho à lareira com um bom livro e a companhia certa, daquelas que sabem aquecer a alma antes de sequer tocarem o corpo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O ERRO DE PLATÃO


Há pessoas que só sabem amar na ausência, na distância, na certeza de uma proximidade previsivel e meticulosamente programada, onde o amor é dado a conta-gotas como se de uma panaceia se tratasse. Há pessoas que vivem com mais intensidade o amor ausente, perdido, esquecido ou ultrapassado, que saboreiam na solidão o prazer do reencontro, que partilham em sonhos e pelos fios do telefone sem fios os seus desejos e vontades com maior afecto e doçura do que se estivessem ao nosso lado. É desta matéria que são feitos os amores platónicos. No segredo de uma sala onde só a música se ouve, no recolhimento de uma cama de um só corpo, nas saudades mudas e raramente partilhadas com aqueles que se ama.

Felizmente há outras formas de amar. Só que são mais dificeis, custam a aprender e cansam-nos muito mais. Ainda não encontrei em nenhum dicionário o verbo dar como sinónimo de amar, mas talvez ainda não seja tarde. Porque não concebo outra forma de amar que não seja a da partilha dos afectos e do despojamento de tudo aquilo que somos, com tudo o que de bom e de mau isso possa representar, nos braços daquele que amamos.

Um grande amor nunca se fez sem entrega, e se não há entrega, então é porque não há amor.

Nascemos todos para amar, mas demoramos muitos anos a aprender que amar nem sempre é um verbo reciproco. Se essa fosse a primeira coisa a descobrir, viveriamos o amor de uma forma muito mais justa e serena.

O amor platónico é um amor egoista e esteril e devia ser proibido. Só aceito o amor platónico quando já não existe forma nenhuma de o viver de outra forma. E só há uma impossilbilidade real na vida, chama-se morte, é sempre inevitável, quase sempre inesperada e infelizmente irreversivel.

Mas enquanto estamos vivos, é preciso saber viver o amor, esquecer mágoas e matar inseguranças e acreditar que vale a pena amar alguém, que vale a pena partilhar o nosso amor, mesmo que quem o recebe não saiba abrir as mãos para o agarrar.

Se os homens sentissem mais e pensassem menos, talvez Platão se tivesse ocupado com outras teorias mais produtivas. Ou talvez não. Afinal de contas, não era mulher.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

NÃO É PÁSCOA, MAS FAZ DE CONTA!


Galinhas. São um animal enigmático. Feio, torpe, idiota, irritante, é certo. Porém enigmático. Aquelas patitas saltitantes, o pescoço que se mexe sozinho como se fosse a todo o momento desatarrachar-se da cabeça e o olhar, aquele olhar entre um peixe e uma vaca ensonada. O bico sempre á coca, a não ser quando se sentam para pôr ovos. E então é vê-las quais estátuas gregas, numa pose digna e imperturbável, ar superior e arrogante.

Não conheço ninguem que goste de galinhas. Deve ser um dos animais mais detestados do mundo. O que é uma grande injustiça, porque a galinha, no fundo no fundo, é nossa amiga. Quem nos dá omeletes, pintos, papos de anjo, trouxas, bacalhau à braz, lampreias de ovos, gemadas e outras iguarias a não ser a nossa amiga galinha? E quando estamos doentes, o que sabe mesmo bem? Uma canjinha. E não me interessa nada saber se o que apareceu primeiro foi o ovo ou a galinha, é uma daquelas discussões tão inuteis e idiotas como qual o sexo dos anjos ou o que faz o marido da Àgata. O que me interessa é que as galinhas põem ovos e que com os ovos se fazem coisas bestiais, época do Carnaval incluida.

domingo, 4 de janeiro de 2009

DIAS D


Há dias assim, cheios de vida e de luz, em que se acorda já de olhos abertos e o coração cheio, se canta no duche e se dizem coisas com graça. Dias onde só há sol e calor, vontade de rir e de dizer disparates, de formular desejos sem pedir nada, de dizer tudo sem falar. Há dias que fazem uma sucessão leve e fácil de horas correrem umas atrás das outras, sem peso nem cansaço, apesar da ressaca, dos olhos inchados, do passo incerto e da memória pródiga em encontrar as chaves do carro e os óculos escuros. Sãos dias em que não nos sentimos donos do mundo, mas de nós mesmos e daquilo que queremos, o que é muito melhor e mais importante. Há dias assim, em que tudo bate certo. Dias abençoados por aquele bem estar único e delicioso. Há dias assim, em que nos sentimos lúcidos, estamos bem connosco e com os outros, apetece-nos passear, brincar ás escondidas, apanhar o comboio, andar a pé e correr este e aquele bar, só pelo prazer de descobrir uma companhia que nos ouve e nos conta o que lhe vai na alma, sem medos nem esquemas de sedução. Há dias assim, cheios de sol e de luz, em que a música invade a casa desde cedo e fica no ar o cheiro de quem partiu e queria ficar, apetece tudo menos voltar para a cama e dormir. Há dias assim, abençoados pela sorte e protegidos por um invisivel duende que se ri aos nossos ouvidos. Não tem nome este estado de graça, de se sentir a vida a pulsar debaixo da pele e coragem para fazer tudo o que ainda não conseguimos. Não tem nome, nem pode ter, porque é tão forte e tão grande que não cabe num dicionário.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

TCHIM TCHIM




Em 2008 aprendi que há coisas na vida pelas quais lutamos e conseguimos. E outras pelas quais não vale a pena lutar. Aprendi a ouvir criticas sem reservas e elogios com alguna desconfiança. Aprendi que o tempo não se perde, gasta-se. Que o tempo que temos para os amigos é sempre pouco. Que as pessoas de quem gostamos também morrem. Que a amizade é uma das mais belas formas de amor. Que tenho uns pais excepcionais. Que o sucesso é éfemero e consome. Que pode ser perigoso se nos deviar da nossa missão. Que não serve para nada a não ser para criar expectativas. Que os homens ás vezes tratam mal as mulheres de quem gostam. Que se o fazem é porque gostam mesmo delas. Que ás vezes é preciso respirar fundo antes de responder, calar em vez de falar, fechar a gaveta sem a arrumar. Que a vida nos traz aquilo que mais desejamos e que quando alcançamos objectivos, temos que ter outros, senão a vitória não sabe a nada porque já foi conquistada.
Este ano de 2008 aprendi que a música é a melhor companhia. Que há melodias que tal como o amor são eternas e quanto mais tempo passa, mais importantes são e mais sentido fazem na minha vida. Aprendi a ouvir os outros corações bater a um ritmo diferente do meu, que cada alma tem o seu modo e o seu tempo, que amar é saber respeitar o tempo e o modo de cada um. Que a distância não tem nada a ver com kilómetros. Que ninguém constrói uma ponte sozinho. Que o tempo está para o amor como o vento para os incêndios. Que quando se começa a construir alguma coisa, tem que ser pedra sobre pedra. E que ás vezes mais vale deitar tudo abaixo e começar de novo. Que estar parado também é uma acção. Que estar calado também é comunicar. Que ficar quieto pode ser a forma mais inteligente de agir.
Este ano de 2008 descobri que o livro da minha vida foi escrito por uma mulher. Que os livros são um bem precioso, sem eles a vida não faria sentido. Que não há melhor coisa que trocar livros com amigos e juntar amigos com amigos. Que o amor é uma doença contagiosa que se propaga de forma descontrolada. Que no Inverno um saco de água quente é uma boa ideia. Que a solidão tem cor, cheiro e sabor e que me sinto bem com ela. Que os filhos precisam tanto dos pais como os pais dos filhos. Que os velhos amigos nunca envelhecem e nos fazem sentoi sempre mais novos. Que a proximidade é uma arte. Que a generosidade que temos com outros reverte sempre a nosso favor. Que a sinceridade é uma arma perigosa. Que o amor tem muito de guerra e muito pouco de paz.
Em 2008 aprendi que 2009 ainda vai ser melhor. Que tudo na vida pode ser sempre melhor. Muito melhor. Muitissimo melhor.




BOM ANO A TODOS: FAMILIA, AMIGOS, COLEGAS E CONHECIDOS.




TCHIM TCHIM

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O TEMPO QUE FOR PRECISO ( PARTE II )

O amor abre o coração, desprotege o espirtito, acorda o corpo e aquece a alma. Pode nascer de um olhar mais longo, de uma conversa à mesa, de um passeio á beira-mar, da simples passagem da palma de uma mão por uma cintura desprevenida. Não tem regras, nem tempo, nem cores, porque não tem limites, nem compassos nem contornos. Por isso é que quando nos apaixonamos enchemos páginas inúteis com os defeitos e qualidades do nosso amado sem chegarmos a nenhuma conclusão. E ao vermos nele alguns defeitos que tanto abominamos, condescendemos, abreviamos, comtemporizamos e deixamos passar. Porque o verdadeiro amor é aquele que resiste ao tempo, sobrevive às dúvidas, emerge do medo e aprende a dominá-lo.
Amar é outra coisa. É dar sem pensar, é sonhar o dia todo acordado e dormir sem nunca adormecer, é galgar distâncias com agilidade e destreza, é viajar sem sair de casa, escolher livros e programas surpresas, namorar o telefone à espera que ele toque, acordar depois de duas horas de sono com cara de bebé, sentir que somos invenciveis e que a perfeição está tão perto e é tão fácil, que a morte já podia chegar, sem termos medo de perder a vida.
O verdaeiro amor é absoluto, indestrutível, estóico, inflexivel na sua êssencia e tolerante na sua vivência, discreto, sóbrio, contido, reservado, escondido, recatado, amadurecido, desejado, incondicional, amargurado, sagrado, sobressaltado. O verdadeiro amor é delicado, bom ouvinte, cúmplice, fiel sem ser servil, atento sem se impor, carinhoso sem cobrar, atencioso sem sufocar e muito, muito cuidadoso para nunca se perder, se estragar, se esquecer ou desvirtuar. O segredo está no tempero, na moderação, nas palavras que nunca se chegam a dizer, nas conversas perdidas à beira do rio, no olhar que fica no ar, no tempo que é preciso dar para que cresça, amadureça e deixe de meter medo. È preciso dar tempo ao amor, um tempo sem tempo, sem datas nem prazos, sem exigências nem queixas, PORQUE O AMOR LEVA O TEMPO QUE FOR PRECISO!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ESPERA....



Não, não partas já. Espera mais um pouco ainda, espera que o tempo passe e te apazigue a alma, te arrefeça os ímpetos e te faça voltar á terra, a essa estúpida e reguladora rotina que te rege os dias e as noites e te faz sentir que afinal és uma pessoa normal, dono da tua vida e do teu coração. Espera só mais um momento, deixa que o silêncio perpetue os nossos momentos de perfeição, a comunhão das nossas almas num desjo duradouro e certo que o tempo não mata, só ajuda a cimentar, que a distância não destrói, só ajuda a alimentar.

Espera só mais um instante, até que a tua memória quente cristalize os nossos momentos e os preserve como um tesouro secreto por mais ninguém descoberto e cobiçado. Guarda bem esses instantes, num lugar qualquer entre a tua cabeça e o teu coração, que deve ser mais ou menos onde se situa a alma e espera que o tempo te diga se o que sentes vai crescer e dar sentido à nossa vida.

Espera só mais um ou dois minutos, eterniza este abraço, grava-o na tua memória para que amanhã e depois, e depois ainda, o possas sentir outra vez, que ele te acompanhe e te ajude, te dê apoio e protecção, te faça sentir amado e desejado.

Mas espera, espera um pouco ainda, espera, porque a espera é o tempo de deixar crescer aquilo que há-de ser. É sempre pouco, quando se tem tanto para dar. E receber.


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O TEMPO QUE FOR PRECISO (PARTE I)


O TEMPO está para o AMOR como o vento está para os incêndios; apaga os FRACOS e ateia os mais FORTES. É uma espécie de teste, uma prova cega, uma forma inequivoca de clarificar a essência daquilo a que tantas vezes queremos chamar AMOR e que ainda não é mais do que o minusculo embrião de futuro INCERTO e tantas vezes IMPROVÁVEL.
O TEMPO está para o AMOR como o vento está para os incêndios. Alastra repentinamente, TRAIÇOEIRO e sem aviso, vai para lugares onde nunca pensamos que pudesse sequer chegar, faz-nos TEMER, SOFRER, REZAR dá-nos vontade de LUTAR para o COMBATER, porque não sabemos para onde vamos, o que queremos nem se seremos os mesmos depois do fim... e por isso receamos ofim antes mesmo do principio, imaginamos cenários apocalipticos para PROTEGER o coração cansado e errante que não quer ainda, apesar de tudo, parar para pensar ou escolher um lugar.
O TEMPO está para o AMOR como está para tudo o resto na vida. É o que nos dá MATURIDADE, que nos ensina a distinguir o que é urgente daquilo que é mesmo importante, que nos mostra onde estão os verdadeiros amigos, que nos dita quais os PRINCIPIOS pelos quais nos regemos e como devemos lidar com as nossas FRAQUEZAS. O TEMPO ensina-nos a viver com os DEFEITOS e a respeitar as DIFERENÇAS dos outros. Dá-nos SABEDORIA, TOLERÂNCIA, OBJECTIVIDADE e CLAREZA MENTAL. Afasta as DUVIDAS e as HESITAÇÕES. Poupa-nos de DECEPÇÕES e ENGANOS. Abre-nos os olhos quando somos os unicos a não ver. E dá-nos força para continuar, mesmo que o AMOR seja uma AUSENCIA, uma PERDA, uma FALTA, uma DESILUSÃO.
Tantas vezes se consome a si próprio, tantas vezes é tão fácil de apagar, para depois se reacender, volta a vacilar, incerto e inseguro, quente mas efémero, forte mas fálivel, romântico mas tantas vezes superficial...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

KENS E BARBIES!!


O Ken está para a Barbie como o pão está para a manteiga: foram feitos um para o outro. A Barbie é fútil, vazia, irritante, pirosa, peneirenta. O Ken é paspalhão, cabotino, caramelo, convencido, embora não convença ninguém, sempre vai dando a volta á Barbie.
O país por excelência dos Kens e das Barbies é a América. Não há série televisiva, por mais ranhosa que seja, que não tenha uma loira patriótica e bem nutrida, de lábios generosos e decotes filantrópicos, a qual é irremediavelmente salva por um jovem garboso e bem parecido, de cabelos ondulados e olhos claros, caparro de Mohamed Aali e inteligência de cão de circo. E o nosso Portugalinho, pródigo em tudo imitar, também tem o seu pequeno mundo de Kens e Barbies. Elas muito louras e esticadas, com saias de mão-travessa e eles de blazers de botões dourados, lenços de lapela, sapatos de berloques e charutos em dias de festa.
Os Kens nacionais são aqueles que vão á Kapital, passam horas a penteaar-se nas casas de banho, que não se importam de passar fome para ter o ultimo modelo do BMW com o mais pequenos e portátil dos portáteis. Estes pequenos homens descobriram que, sendo Kens, o mundo cairia com mais facilidade aos seus pés, mas o mundo deles reduz-se ao universo das Barbies.
Os nossos Kens até podem ter charme, mas é o charme ribatejano que se civilizou há uma ou duas gerações. A educação até pode ser esmerada, mas os palavrões estão lá, para o que der e vier. E até podem ser bem parecidos e ter boa figura, mas engordam e embarrigam com excessiva facilidade.
O grande problema é que Portugal está cada vez mais cheio de Kens, enquanto as Barbies vão desaparecendo aos poucos. As mulheres já perceberam que não vale a pena serem bonecas e empastarem a cara de cremes, que mais vale dormir muito e fazer ginástica. Mas é exactamente quando as portuguesas estão a descontrair-se que os portugas se estão a apirosar, ou pior ainda a amaricar, com cremes exfoliantes, pijamas de seda, perfumes fortes e gravatas floridas.
Os Kens de Portugal estão a desvirtuar o português de gema, que fazia a barba sem espuma e se lavava com sabão azul, andava a cavalo o dia todo e só tirava as botas para dormir. Ainda bem que a civilização chegou aos homens, mas não convém abusar. Até porque as Barbies, que passam metade do dia a arranjarem-se para estarem impecáveis a outra metade, não aguentam durante muito tempo ao seu lado uma criatura tão enfadonha e desinteressante como elas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O ADMIRÁVEL MUNDO DA MODA...


Depois de uma frustrada volta pelos centros comerciais e lojas de marca, cheguei à triste conclusão que estou fora de moda. Ou então é a moda que está fora das lojas. Ou talvez se tenha dado o caso da moda estar fora de si, o que de qualquer modo me põe fora de mim.
A moda é um fenómeno estranho, irritante e absurdo. Meia dúzia de figuras com as pecto bastante critico - vide Jean Paul Gaultier - são os iluminados que ditam a moda com quem dita cartas à secretária: "Ex.mos Senhores, este ano a moda vai ser...". E despejam tudo o que lhes passa pela cabeça sem o menor respeito pelas compras que fizemos o ano anterior, elaborando um chorrilho de conceitos vazios sobre tecidos, cortes, linhas, texturas, tendências e oiyros aspectos do assunto. E nós mulheres, absorvemos as informações como um rebanho com mixomatose e perdemos o gosto. Dou por mim a namorar sapatos que há um ano achava absurdos e a usar risca ao meio que duarante décadas achei piroso. Sinto-me um ser letal e impotente perante a moda. È como se tivesse perdido o poder de análise, a capacidade de escolher, o gosto de observar, o jeito para me arranjar. A moda acefalizou-me.
O que mais me fascina na moda é a sua linguagem própria e inimitável!
O que é um facto é que não me sinto na moda e isso irrita-me. O que eu sempre temi está a acontecer. Estou a ficar clássica, demodée!
Lanço um apelo a qualquer alma caridosa que me queira ajudar. Será que ninguém da moda me quererá por na moda? As minhas preferências vão para o Giorgio Armani e José António Tenente, mas não sou esquisita!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

OS HOMENS DEVIAM VIR COM LIVRO DE INSTRUÇÕES!


Nunca fui boa com máquinas!

Não consigo perceber os homens. Primeiro, porque não vêem com livro de instruções. Segundo, porque mesmo que viessem, os principios que se aplicam a uns não são necessariamente os mesmos que se aplicam a outros. Às vezes um manual de instruões dava jeito. Não para livro de cabeceira, mas do género dicionário, para consultar de vez em quando, sempre que uma dúvida nos assalta e não queremos meter a pata na poça.

Continuo na minha: os homens deviam vir com manual de instruções. Uma edição barata, tipo livro de bolso, mais ou menos do tamanho da bolsinha das pinturas. Dava mesmo jeito. Porque uma pessoa não consegue perceber e adivinhar tudo. Por exemplo, o que quer dizer: és muito gira, depois telefono-te! É amanha ou no próximo milénio? Também não percebo quando dizem que têm saudades, mas depois empanturram a semana com reuniões e jantares de trabalho. Ou quando passam horas a fio ao telefone às segundas e sextas a dizerem-nos porque é que somos fantásticas, mas não ligam terça, quarta, nem quinta. Se um dia começar a perceber alguma coisa, talvez me aventure a escever um manual. Mesmo que já seja demasiado tarde para aplicar alguma coisa que entretanto aprendi, sempre fica para a próxima geração.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

OS GLORIOSOS MALUCOS DAS MÁQUINAS MOTORAS!


O melhor exemplo que o trânsito transtorna irremediavelmente a saúde mental dos portugueses é essa famigerada raça que amaldiçoamos o ano inteiro, excepto nos dias em que o carro foi parar à revisão, ou um pneu se furou estupidamente numa tampa da EPAL, mal assente. Nesse raros dias, os toleramos porque precisamos deles.
O taxista é por definição um animal urbano enraivecido pelos peões indisciplinados, pelos sinais sempre fechados, pelos sentidos proibidos que passam a vida a ser mudados, pelos clientes que nunca têm trocados, mas sobretudo pelos outros automobilistas que eles consideram uns asnos acabados. E como todos os ódios cultivados, este também não deixa de ser reciproco.
Mas a principal razão que nos faz odiar estes homens, além do seu aspecto pouco lavado e digno: unha do dedo mindinho comprida, cabelo oleoso, barriga proeminente e umbigo atrevido e peludo, cotovelo de fora e bronzeado à bimbo, é, em primeiro lugar o facto de eles serem muitos. Não é só a sua maneira arrogante de conduzir, atravessando-se nas nossas barbas como se a direita estivesse sempre do lado deles, ocupando duas faixas ou parando ostentivamente no eixo da via (como dizem os instrutores), quando dois metros à frente há uma paragem de autocarro onde podiam ter encostado para nos deixarem passar, etc, etc, etc...
Tudo isso é mau, mas não é o pior. O pior é que eles são muitos e estão em toda a parte. Porque além de serem aos milhares, estão bem organizados e têm noção de classe. Não são um sindicato, são uma máfia.
Os taxistas, no fundo, são como as abelhas, com todos os defeitos destes voadores e sem nenhuma das suas qualidades: chateiam em separado, mas em conjunto podem matar.