sábado, 14 de fevereiro de 2009

NAMORAR ACIMA DE TUDO :)


Namorar está outra vez na moda!

Nas ultimas décadas, a moda era ser anigado, viver junto, andar com. Tudo opções equivocas, enganadoras e traiçoeiras, como são as soluções fáceis, também as falsas.
De todas as modalidades de conjugalidade free, a pior de todas é a dos amigados. Os amigados não são meia dúzia de amigos que vivem juntos. São duas pessoas que preferem suportar-se uma à outra do que aguentar a solidão. Os amigados são namorados desvirtuados. Já não vivem de amor e de paixão, vivem com pantufas e hamburgers. Já não fazem declarações de amor, fazem declarações de voto para ver quem vai despejar o lixo. Os amigados são seres enfiados, apagados e amargurados, vivem juntos por viver, porque calhou, porque era giro ou tinha umas boas pernas, porque estava ali á mão quando se alugou a casa. É uma vida um pouco ao calhas que com o passar do tempo já não calha nada.
Os "andados" são dramáticos, porque são um sub-produto dos namorados. São clandestinos, envergonhados e passam a vida a esconder-se das pessoas. Os "andados" andam muito, mas não chegam a lado nenhum. Andar com é como correr sem sair do mesmo sitio. Uma pessoa cansa-se, estafa-se, desespera e só vê a vida a andar para trás, como aquelas passadeiras de ginásio para praticantes paranóicos de jogging.
Namorar é que é bom. É gostar às claras, contar histórias, escrever cartas, dar miminhos, suspirar, passear de mão dada, ir ao MacDonald's, fazer birras, brincar às escondidas e dizer toda a espécie de parvoices sem cair no ridiculo. Namorar é fazer tudo sem preconceitos, sem medos. Mesmo que seja a ver a Pequena Sereia num domingo à tarde, os dois a roer pipocas enrolados numa mantinha roubada da TAP num voo le longo curso.
O melhor de namorar é que namorar não cansa como ser amigado. Namorar é sempre como dar o primeiro beijo, levar o pequeno almoço à cama, dar a primeira mensagem ou preparar o promeira jantar à luz das velas.

No namorar é que está o ganho!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

FAZ FRIO!


Devia escrever sobre imensas coisas que me vão passando pela cabeça, mas só me apetece desabafar sobre este frio implacável e devastador que me gela os ossos e a alma, a mim e a mais dez milhões de portugueses. Com esta mania que Portugal tem um bom clima andamos todos a congelar dentro das nossas próprias casas. Já conheci torturas menos penosas. No carro existe o maravilhoso botão do ar condicionado. Nos escritórios idem idem, para conforto dos friorentos e desgraça dos alérgicos. Não tenho lareira nem aquecimento central, as contas da luz duplicam todos os meses desde Outubro e continuo literalmente gelada. Outro dia falaram-me das maravilhas dos cobertores electricos, mas que diabo, uma pessoa não pode passar todo o tempo útil que está em casa enfiado na cama, até parece mal. Será que é por isso que há mais separações no Verão e reconciliações no Inverno?
Outra alternativa é aquecer o corpo por dentro, com chás, chocolates quentes ou para gargantas mais radicais, licores e aguardentes. Na dúvida prefiro Vodka Preta, que dá mais gozo e provoca um efeito colateral nos neurónios. Licores e aguardentes são coisas de taberna. Chocolates quentes é para crianças e chás para tias.
Outra solução é vestir quilos de roupa, ou mesmo o fato de ski, luvas, cachecol e barrete. Sopas. Sopas é outra defesa. Quentinhas, a fumegar. Mas é preciso não queimar a lingua, senão lá se vai o paladar e sem paladar há poucas coisas na vida que tenham graça.
O calor faz muita falta. Ao corpo e á alma, ao espirito e ao coração. O calor dilata os corpos, o frio encolhe-os. O calor anima, o frio desanima. O calor inspira, o frio interioriza.
Finalmente, depois de muito pensar, opto pelo saco de agua quente. È Prático, de grande mobilidade, rápido a proporcionar conforto, eficiente em enanar calor, inofensivo, silencioso e inodoro. Ou então por um dia inteirinho à lareira com um bom livro e a companhia certa, daquelas que sabem aquecer a alma antes de sequer tocarem o corpo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O ERRO DE PLATÃO


Há pessoas que só sabem amar na ausência, na distância, na certeza de uma proximidade previsivel e meticulosamente programada, onde o amor é dado a conta-gotas como se de uma panaceia se tratasse. Há pessoas que vivem com mais intensidade o amor ausente, perdido, esquecido ou ultrapassado, que saboreiam na solidão o prazer do reencontro, que partilham em sonhos e pelos fios do telefone sem fios os seus desejos e vontades com maior afecto e doçura do que se estivessem ao nosso lado. É desta matéria que são feitos os amores platónicos. No segredo de uma sala onde só a música se ouve, no recolhimento de uma cama de um só corpo, nas saudades mudas e raramente partilhadas com aqueles que se ama.

Felizmente há outras formas de amar. Só que são mais dificeis, custam a aprender e cansam-nos muito mais. Ainda não encontrei em nenhum dicionário o verbo dar como sinónimo de amar, mas talvez ainda não seja tarde. Porque não concebo outra forma de amar que não seja a da partilha dos afectos e do despojamento de tudo aquilo que somos, com tudo o que de bom e de mau isso possa representar, nos braços daquele que amamos.

Um grande amor nunca se fez sem entrega, e se não há entrega, então é porque não há amor.

Nascemos todos para amar, mas demoramos muitos anos a aprender que amar nem sempre é um verbo reciproco. Se essa fosse a primeira coisa a descobrir, viveriamos o amor de uma forma muito mais justa e serena.

O amor platónico é um amor egoista e esteril e devia ser proibido. Só aceito o amor platónico quando já não existe forma nenhuma de o viver de outra forma. E só há uma impossilbilidade real na vida, chama-se morte, é sempre inevitável, quase sempre inesperada e infelizmente irreversivel.

Mas enquanto estamos vivos, é preciso saber viver o amor, esquecer mágoas e matar inseguranças e acreditar que vale a pena amar alguém, que vale a pena partilhar o nosso amor, mesmo que quem o recebe não saiba abrir as mãos para o agarrar.

Se os homens sentissem mais e pensassem menos, talvez Platão se tivesse ocupado com outras teorias mais produtivas. Ou talvez não. Afinal de contas, não era mulher.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

NÃO É PÁSCOA, MAS FAZ DE CONTA!


Galinhas. São um animal enigmático. Feio, torpe, idiota, irritante, é certo. Porém enigmático. Aquelas patitas saltitantes, o pescoço que se mexe sozinho como se fosse a todo o momento desatarrachar-se da cabeça e o olhar, aquele olhar entre um peixe e uma vaca ensonada. O bico sempre á coca, a não ser quando se sentam para pôr ovos. E então é vê-las quais estátuas gregas, numa pose digna e imperturbável, ar superior e arrogante.

Não conheço ninguem que goste de galinhas. Deve ser um dos animais mais detestados do mundo. O que é uma grande injustiça, porque a galinha, no fundo no fundo, é nossa amiga. Quem nos dá omeletes, pintos, papos de anjo, trouxas, bacalhau à braz, lampreias de ovos, gemadas e outras iguarias a não ser a nossa amiga galinha? E quando estamos doentes, o que sabe mesmo bem? Uma canjinha. E não me interessa nada saber se o que apareceu primeiro foi o ovo ou a galinha, é uma daquelas discussões tão inuteis e idiotas como qual o sexo dos anjos ou o que faz o marido da Àgata. O que me interessa é que as galinhas põem ovos e que com os ovos se fazem coisas bestiais, época do Carnaval incluida.

domingo, 4 de janeiro de 2009

DIAS D


Há dias assim, cheios de vida e de luz, em que se acorda já de olhos abertos e o coração cheio, se canta no duche e se dizem coisas com graça. Dias onde só há sol e calor, vontade de rir e de dizer disparates, de formular desejos sem pedir nada, de dizer tudo sem falar. Há dias que fazem uma sucessão leve e fácil de horas correrem umas atrás das outras, sem peso nem cansaço, apesar da ressaca, dos olhos inchados, do passo incerto e da memória pródiga em encontrar as chaves do carro e os óculos escuros. Sãos dias em que não nos sentimos donos do mundo, mas de nós mesmos e daquilo que queremos, o que é muito melhor e mais importante. Há dias assim, em que tudo bate certo. Dias abençoados por aquele bem estar único e delicioso. Há dias assim, em que nos sentimos lúcidos, estamos bem connosco e com os outros, apetece-nos passear, brincar ás escondidas, apanhar o comboio, andar a pé e correr este e aquele bar, só pelo prazer de descobrir uma companhia que nos ouve e nos conta o que lhe vai na alma, sem medos nem esquemas de sedução. Há dias assim, cheios de sol e de luz, em que a música invade a casa desde cedo e fica no ar o cheiro de quem partiu e queria ficar, apetece tudo menos voltar para a cama e dormir. Há dias assim, abençoados pela sorte e protegidos por um invisivel duende que se ri aos nossos ouvidos. Não tem nome este estado de graça, de se sentir a vida a pulsar debaixo da pele e coragem para fazer tudo o que ainda não conseguimos. Não tem nome, nem pode ter, porque é tão forte e tão grande que não cabe num dicionário.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

TCHIM TCHIM




Em 2008 aprendi que há coisas na vida pelas quais lutamos e conseguimos. E outras pelas quais não vale a pena lutar. Aprendi a ouvir criticas sem reservas e elogios com alguna desconfiança. Aprendi que o tempo não se perde, gasta-se. Que o tempo que temos para os amigos é sempre pouco. Que as pessoas de quem gostamos também morrem. Que a amizade é uma das mais belas formas de amor. Que tenho uns pais excepcionais. Que o sucesso é éfemero e consome. Que pode ser perigoso se nos deviar da nossa missão. Que não serve para nada a não ser para criar expectativas. Que os homens ás vezes tratam mal as mulheres de quem gostam. Que se o fazem é porque gostam mesmo delas. Que ás vezes é preciso respirar fundo antes de responder, calar em vez de falar, fechar a gaveta sem a arrumar. Que a vida nos traz aquilo que mais desejamos e que quando alcançamos objectivos, temos que ter outros, senão a vitória não sabe a nada porque já foi conquistada.
Este ano de 2008 aprendi que a música é a melhor companhia. Que há melodias que tal como o amor são eternas e quanto mais tempo passa, mais importantes são e mais sentido fazem na minha vida. Aprendi a ouvir os outros corações bater a um ritmo diferente do meu, que cada alma tem o seu modo e o seu tempo, que amar é saber respeitar o tempo e o modo de cada um. Que a distância não tem nada a ver com kilómetros. Que ninguém constrói uma ponte sozinho. Que o tempo está para o amor como o vento para os incêndios. Que quando se começa a construir alguma coisa, tem que ser pedra sobre pedra. E que ás vezes mais vale deitar tudo abaixo e começar de novo. Que estar parado também é uma acção. Que estar calado também é comunicar. Que ficar quieto pode ser a forma mais inteligente de agir.
Este ano de 2008 descobri que o livro da minha vida foi escrito por uma mulher. Que os livros são um bem precioso, sem eles a vida não faria sentido. Que não há melhor coisa que trocar livros com amigos e juntar amigos com amigos. Que o amor é uma doença contagiosa que se propaga de forma descontrolada. Que no Inverno um saco de água quente é uma boa ideia. Que a solidão tem cor, cheiro e sabor e que me sinto bem com ela. Que os filhos precisam tanto dos pais como os pais dos filhos. Que os velhos amigos nunca envelhecem e nos fazem sentoi sempre mais novos. Que a proximidade é uma arte. Que a generosidade que temos com outros reverte sempre a nosso favor. Que a sinceridade é uma arma perigosa. Que o amor tem muito de guerra e muito pouco de paz.
Em 2008 aprendi que 2009 ainda vai ser melhor. Que tudo na vida pode ser sempre melhor. Muito melhor. Muitissimo melhor.




BOM ANO A TODOS: FAMILIA, AMIGOS, COLEGAS E CONHECIDOS.




TCHIM TCHIM

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O TEMPO QUE FOR PRECISO ( PARTE II )

O amor abre o coração, desprotege o espirtito, acorda o corpo e aquece a alma. Pode nascer de um olhar mais longo, de uma conversa à mesa, de um passeio á beira-mar, da simples passagem da palma de uma mão por uma cintura desprevenida. Não tem regras, nem tempo, nem cores, porque não tem limites, nem compassos nem contornos. Por isso é que quando nos apaixonamos enchemos páginas inúteis com os defeitos e qualidades do nosso amado sem chegarmos a nenhuma conclusão. E ao vermos nele alguns defeitos que tanto abominamos, condescendemos, abreviamos, comtemporizamos e deixamos passar. Porque o verdadeiro amor é aquele que resiste ao tempo, sobrevive às dúvidas, emerge do medo e aprende a dominá-lo.
Amar é outra coisa. É dar sem pensar, é sonhar o dia todo acordado e dormir sem nunca adormecer, é galgar distâncias com agilidade e destreza, é viajar sem sair de casa, escolher livros e programas surpresas, namorar o telefone à espera que ele toque, acordar depois de duas horas de sono com cara de bebé, sentir que somos invenciveis e que a perfeição está tão perto e é tão fácil, que a morte já podia chegar, sem termos medo de perder a vida.
O verdaeiro amor é absoluto, indestrutível, estóico, inflexivel na sua êssencia e tolerante na sua vivência, discreto, sóbrio, contido, reservado, escondido, recatado, amadurecido, desejado, incondicional, amargurado, sagrado, sobressaltado. O verdadeiro amor é delicado, bom ouvinte, cúmplice, fiel sem ser servil, atento sem se impor, carinhoso sem cobrar, atencioso sem sufocar e muito, muito cuidadoso para nunca se perder, se estragar, se esquecer ou desvirtuar. O segredo está no tempero, na moderação, nas palavras que nunca se chegam a dizer, nas conversas perdidas à beira do rio, no olhar que fica no ar, no tempo que é preciso dar para que cresça, amadureça e deixe de meter medo. È preciso dar tempo ao amor, um tempo sem tempo, sem datas nem prazos, sem exigências nem queixas, PORQUE O AMOR LEVA O TEMPO QUE FOR PRECISO!