quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A TUA INICIAL


Querida L: a tua inicial podia ser outra e mais outra e outra ainda, tantas quantas as amigas que tenho, mas escolhi-te, para te dizer como, o quanto e porque é que gosto tanto de ti. As pessoas costumam dizer que a verdadeira amizade entre mulheres é impossivel. Nada é mais absurdo. A amizade é talvez a mais bela forma de amor, porque é feita de um amor dócil e dado, feliz e descomplicado, de uma vontade inesgotavel de dar, ouvir, ajudar e apoiar, de estar ali ao lado incondicionalmente para o que der e vier, de comungar coisas impartilhaveis, de guardar segredos sem nunca os reclamar, de saber estar e saber ser um espelho que nao mente e no entanto, suaviza a nossa propria realidade quando esta se torna assustadoramente monstruosa aos nossos olhos.

Olho para ti e vejo um escudo que me proteje do mundo, uma mao pronta a dar, um ombro preparado para receber as minhas lagrimas e tristezas. És um pilar, mesmo quando te sentes fraca e vulneravel. A tua presença faz-me sentir mimada, olho para ti e fico a pensar que sou uma pessoa cheia de sorte por te ter tao proxima.

Querida L, rezo a um Deus qualquer que esteja disponivel, para que a vida te seja doce, grata e generosa, que encontres uma homem a tua altura.

Dás-me paz, companhia, doçura, harmonia, amor, serenidade, confiança. Das-me a mão, o teu coração e a tua cabeça, as tuas memórias e os teus projectos, fazes-me sentir importante quando estou do tamanho de uma ostra e fazes-me rir quando choro e chorar quando rio.

Uma amizade assim não tem fim, mas tem principio e meio, e no meio de tudo isto só te posso dizer, minha querida L que o mundo nao teria a mesma luz se tu nao fizesses parte dele.

domingo, 5 de abril de 2009

Exclusivamente para o meu genero, o FEMININO!


Estou farta! Farta do trabalho que dá ser mulher. Farta de gastar rios de dinheiro em cremes hidratantes, no cabeleireiro e na manicure. Farta de olhar todos os dias ao espelho e descobrir uma mancha aqui, um ponto negro ali, uma mecha de cabelo fora do sitio. Ser mulher dá um trabalhão e eu estou farta.
A culpa é dos meios de comunicação. Das revistas da moda, das mulheres esculturais, plásticas e bombásticas que aparecem nos filmes americanos, das belas actizes francesas e de todas essas pessoas absolutamente lindas e maravilhosas que poluem a nossa pacifica existência com icones inatingiveis e por isso mesmo irresistiveis.
É a cara que não pode ter rugas, o cabelo que deve ser sedoso e impecavelmente cortado, as mãos arranjadas, os pés sem calos, as pernas sem celulite, a cintura sem gordura, o peito com firmeza e sem despeito, os joelhos sem vincos e um nunca acabar de pequenos nadas que transformam a nossa hijiene diária numa longa e árdua peregrinação pelo mundo do imaginário da perfeição que é uma cilada e das grandes.
Estou farta de ser mulher! De usar saltos altos, decotes no inverno que convidam á constipação. Lingerie sexy e incómoda. Rolos no cabelo durante horas para ficar bem penteada. Verniz nas unhas para parecer requintada. Batom e rimmel, base e sombra para parecer animada. Estou farta de ter que estar muito bonita para seduzir, para agradar, para me sentir amada. Quem gostar de mim, que goste da minha cara ensonada de manha, com remelas nos olhos e os cabelos em pé, de pijama e de pantufas, ou então ao fim da tarde, com óculos na ponta do nariz, enrolada numa mantinha a devorar uma caixa de bombons e a ler um bom livro, sem pensar que dois dias depois me vai nascer uma borbulha na testa.

domingo, 1 de março de 2009

BALADA DA SOLIDÃO...


A vida ensinou-me a não olhar para trás. Mas não por medo, ou por vontade, até porque o tempo, que dizem que tudo apaga, só serve para nos roubar as horas e gravar na memória os melhores e os piores momentos. E ficamos presos lá dentro, como peixes num aquário, enquanto a vida corre lá fora, e os outros respiram e se movem em liberdade, sem sequer reparar que estamos ali, fechados em nós mesmos, presos numa bola de vidro transparente que nos mostra o mundo onde não conseguimos viver. E, como o presente não passa de uma prisão dura e pesada, já basta o esforço de a aguentar, por isso olhar para o passado transforma-se num exercicio estéril e inutil que só rouba mais tempo e que não serve para nada.
Quando me vens á memória, lembro-me sempre daquele abraço imenso. Lembro-me que senti medo. Um medo enorme, como se desaparecesse nos teus braços e não voltasse. Mas o teu olhar azul tranquilizou-me, a tua voz era um bálsamo de doçura e magia e as tuas palavras, certas e serenas, faziam-me sentir que tudo estava certo e, por isso, quando passavas muito devagar as tuas mãos pela minha cara e ficavas a nadar nos meus olhos era como se me levasses para um lugar qualquer só nosso, cheio de verde e azul, e secalhar era por isso que te dizia que confiava em ti.
Vivi algum tempo neste estado de plenitude a que uns chamam de delirio absurdo e outros amor total, esperando-te, desejando-te, porque tudo me parecia certo e perfeito. Era certo e perfeito o teu olhar protector, o toque das tuas mãos, o teu peso em cima do meu corpo, a tua respiração regular enquanto dormias, as palavras que me dizias quando falavas do futuro.
Hoje, depois da duvida e da desilusão se terem instalado na minha consciência e me chamarem á razão todos os dias, fecho a porta a esse passado que já me alimentou e tento não pensar nada para não pensar que me enganei, que me enganaste, que te enganaste ou que nos enganámos os dois. A vida ensinou-me a aceitar em vez de querer, a esquecer em vez de julgar, a não guardar rancor e a dobrar a tristeza, sem nunca deixar de amar e proteger aqueles que já fizeram parte dela.
Mas á noite, quando adormeço na cama imensa onde me falta um corpo, uma respiração, é ai que ainda sinto a tua falta, que sinto imensas saudades daquele abraço imenso e das tuas mãos a passar pela minha cara. NUNCA TE ESQUECEREI!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A COR DAS SAUDADES!


De que cor são as saudades? Brancas, mesmo no principio, quando só vemos azul, o azul infinito de todos os começos, ou então daquele amarelo-claro, cor de quarto de menina no principio do século, suaves, diáfamas, quase imperceptiveis. Saudades brancas, as da infância, dos lanches com a avó nas pastelarias da moda, dos Natais em familia, da primeira vez que ficámos de castigo na escola. São saudades doces, pacificadas, confortáveis, familiares, quase sempre permanentes e no entanto guardadas na memória.
Depois, e por grau de importância vêm as saudades de cores berrantes da adolescência, da primeira vez que o coração começou a bater mais forte, da primeira vez que se ousou dar a mão, do primeiro chumbo no liceu, daquele primeiro acto de rebeldia. São as saudades rebeldes, vermelho vivo, azul turquesa, cor de laranja, numa mistura de cores e sabores agri-doce de que é feita toda a idade do armário, quando nos fechamos para o mundo convencidos que o temos na mão.
Depois vêm as saudades do primeiro amor. Do primeiro beijo, das cartas trocadas. Saudades dos beijos dados ás escondidas nas escadarias do liceu ou na paragem do autocarro deserta. Saudades da primeira noite de paixão em que prometemos este e o outro mundo. E depois, saudades da primeira vez que nos rejeitaram, o peito inexperiente a sangrar, as lágrimas descontroladas e a voz a tremer, as noites de insónias...
Gosto de imaginar as saudades ás cores, amarelas, rosa choque, de cores vivas, ás bolinhas ou ás riscas, mas sempre alegres como confetis e serpentinas em festas de crianças.
Ter saudades boas é uma das melhores formas de gostar de alguém. Saudades boas, que sabem bem, cheias de memórias doces e frescas, saudades de tardes passadas a ler, de passeios na praia a conversar, saudades de um futuro próximo, ainda incerto, mas cada vez mais perto...
São essas as saudades boas, as saudades certas, que não doem, não cansam, não cobram e não pesam, que só conhecem o verbo dar que fazem com que aqueles de quem mais saudades temos, que nem semprenvemos quando queremos, mas que sabem estar sempre próximos e atentos, tenham sempre saudades de nós.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NAMORAR ACIMA DE TUDO :)


Namorar está outra vez na moda!

Nas ultimas décadas, a moda era ser anigado, viver junto, andar com. Tudo opções equivocas, enganadoras e traiçoeiras, como são as soluções fáceis, também as falsas.
De todas as modalidades de conjugalidade free, a pior de todas é a dos amigados. Os amigados não são meia dúzia de amigos que vivem juntos. São duas pessoas que preferem suportar-se uma à outra do que aguentar a solidão. Os amigados são namorados desvirtuados. Já não vivem de amor e de paixão, vivem com pantufas e hamburgers. Já não fazem declarações de amor, fazem declarações de voto para ver quem vai despejar o lixo. Os amigados são seres enfiados, apagados e amargurados, vivem juntos por viver, porque calhou, porque era giro ou tinha umas boas pernas, porque estava ali á mão quando se alugou a casa. É uma vida um pouco ao calhas que com o passar do tempo já não calha nada.
Os "andados" são dramáticos, porque são um sub-produto dos namorados. São clandestinos, envergonhados e passam a vida a esconder-se das pessoas. Os "andados" andam muito, mas não chegam a lado nenhum. Andar com é como correr sem sair do mesmo sitio. Uma pessoa cansa-se, estafa-se, desespera e só vê a vida a andar para trás, como aquelas passadeiras de ginásio para praticantes paranóicos de jogging.
Namorar é que é bom. É gostar às claras, contar histórias, escrever cartas, dar miminhos, suspirar, passear de mão dada, ir ao MacDonald's, fazer birras, brincar às escondidas e dizer toda a espécie de parvoices sem cair no ridiculo. Namorar é fazer tudo sem preconceitos, sem medos. Mesmo que seja a ver a Pequena Sereia num domingo à tarde, os dois a roer pipocas enrolados numa mantinha roubada da TAP num voo le longo curso.
O melhor de namorar é que namorar não cansa como ser amigado. Namorar é sempre como dar o primeiro beijo, levar o pequeno almoço à cama, dar a primeira mensagem ou preparar o promeira jantar à luz das velas.

No namorar é que está o ganho!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

FAZ FRIO!


Devia escrever sobre imensas coisas que me vão passando pela cabeça, mas só me apetece desabafar sobre este frio implacável e devastador que me gela os ossos e a alma, a mim e a mais dez milhões de portugueses. Com esta mania que Portugal tem um bom clima andamos todos a congelar dentro das nossas próprias casas. Já conheci torturas menos penosas. No carro existe o maravilhoso botão do ar condicionado. Nos escritórios idem idem, para conforto dos friorentos e desgraça dos alérgicos. Não tenho lareira nem aquecimento central, as contas da luz duplicam todos os meses desde Outubro e continuo literalmente gelada. Outro dia falaram-me das maravilhas dos cobertores electricos, mas que diabo, uma pessoa não pode passar todo o tempo útil que está em casa enfiado na cama, até parece mal. Será que é por isso que há mais separações no Verão e reconciliações no Inverno?
Outra alternativa é aquecer o corpo por dentro, com chás, chocolates quentes ou para gargantas mais radicais, licores e aguardentes. Na dúvida prefiro Vodka Preta, que dá mais gozo e provoca um efeito colateral nos neurónios. Licores e aguardentes são coisas de taberna. Chocolates quentes é para crianças e chás para tias.
Outra solução é vestir quilos de roupa, ou mesmo o fato de ski, luvas, cachecol e barrete. Sopas. Sopas é outra defesa. Quentinhas, a fumegar. Mas é preciso não queimar a lingua, senão lá se vai o paladar e sem paladar há poucas coisas na vida que tenham graça.
O calor faz muita falta. Ao corpo e á alma, ao espirito e ao coração. O calor dilata os corpos, o frio encolhe-os. O calor anima, o frio desanima. O calor inspira, o frio interioriza.
Finalmente, depois de muito pensar, opto pelo saco de agua quente. È Prático, de grande mobilidade, rápido a proporcionar conforto, eficiente em enanar calor, inofensivo, silencioso e inodoro. Ou então por um dia inteirinho à lareira com um bom livro e a companhia certa, daquelas que sabem aquecer a alma antes de sequer tocarem o corpo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O ERRO DE PLATÃO


Há pessoas que só sabem amar na ausência, na distância, na certeza de uma proximidade previsivel e meticulosamente programada, onde o amor é dado a conta-gotas como se de uma panaceia se tratasse. Há pessoas que vivem com mais intensidade o amor ausente, perdido, esquecido ou ultrapassado, que saboreiam na solidão o prazer do reencontro, que partilham em sonhos e pelos fios do telefone sem fios os seus desejos e vontades com maior afecto e doçura do que se estivessem ao nosso lado. É desta matéria que são feitos os amores platónicos. No segredo de uma sala onde só a música se ouve, no recolhimento de uma cama de um só corpo, nas saudades mudas e raramente partilhadas com aqueles que se ama.

Felizmente há outras formas de amar. Só que são mais dificeis, custam a aprender e cansam-nos muito mais. Ainda não encontrei em nenhum dicionário o verbo dar como sinónimo de amar, mas talvez ainda não seja tarde. Porque não concebo outra forma de amar que não seja a da partilha dos afectos e do despojamento de tudo aquilo que somos, com tudo o que de bom e de mau isso possa representar, nos braços daquele que amamos.

Um grande amor nunca se fez sem entrega, e se não há entrega, então é porque não há amor.

Nascemos todos para amar, mas demoramos muitos anos a aprender que amar nem sempre é um verbo reciproco. Se essa fosse a primeira coisa a descobrir, viveriamos o amor de uma forma muito mais justa e serena.

O amor platónico é um amor egoista e esteril e devia ser proibido. Só aceito o amor platónico quando já não existe forma nenhuma de o viver de outra forma. E só há uma impossilbilidade real na vida, chama-se morte, é sempre inevitável, quase sempre inesperada e infelizmente irreversivel.

Mas enquanto estamos vivos, é preciso saber viver o amor, esquecer mágoas e matar inseguranças e acreditar que vale a pena amar alguém, que vale a pena partilhar o nosso amor, mesmo que quem o recebe não saiba abrir as mãos para o agarrar.

Se os homens sentissem mais e pensassem menos, talvez Platão se tivesse ocupado com outras teorias mais produtivas. Ou talvez não. Afinal de contas, não era mulher.